A assembleia dos ferroviários da Zona Central do Brasil aceitou, por volta das 15h30 desta quarta-feira (5), a proposta do governo paulista e encerrou a greve que parava as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM desde a meia-noite de terça (4). Os empregados retornaram imediatamente aos postos, e a circulação deve normalizar aos poucos ao longo do dia, com reabertura das estações que estavam fechadas desde o início da paralisação.12

O que destravou o impasse foi o compromisso do governador Tarcísio de Freitas de enviar ainda nesta quarta à Assembleia Legislativa um projeto de lei que altera a norma estadual de aproveitamento de pessoal para citar nominalmente os empregados das três linhas, garantindo sua absorção por órgãos e empresas do estado. O governador condicionou o envio do texto ao fim imediato da paralisação, antes do pico da tarde. A categoria estimava 2,3 mil postos de trabalho em risco com a transferência da operação à concessionária Trivia Trens.41

A saída foi costurada em audiência no TRT-2 conduzida pelo desembargador Francisco Ferreira Jorge Neto. Além da lei de absorção — estendida também aos empregados da Linha 10-Turquesa —, a proposta incluía cláusula de paz com perdão das multas já aplicadas à CPTM e ao sindicato. Se a greve continuasse, o tribunal elevaria a operação mínima exigida a 90% nos horários de pico e 70% fora deles, com multa ao sindicato ampliada a R$ 5 milhões. O acordo será formalizado em audiência marcada para 19 de agosto.3

Nos dois dias de paralisação, a CPTM operou com 40% do efetivo e apenas 3% dos maquinistas, e o governo mobilizou 195 ônibus do sistema Paese para cobrir os trechos sem trem. O pano de fundo é a concessão das três linhas ao grupo Comporte, dono da Trivia Trens: após falhas operacionais sucessivas da concessionária, a operação voltou à CPTM por 90 dias, e dos 4.648 empregados da companhia, 2.171 permanecem alocados na Linha 10-Turquesa.5

No fim, a diferença entre terça e quarta foi a forma da garantia: a categoria recusou promessas verbais e só desmobilizou quando o compromisso virou texto de projeto de lei com destinatário nomeado. O desfecho real, porém, ainda depende da tramitação na Alesp e da homologação do acordo no TRT-2 no dia 19 de agosto.34