A crise aberta pela recusa do Brasil em conceder vistos aos enviados de Donald Trump ganhou dois desdobramentos nesta segunda (27). Em Washington, a gestão Trump prepara uma resposta à negativa, segundo o blog de Bela Megale: interlocutores americanos afirmam que uma medida está em estudo, ainda sem formato definido, e sanções individuais contra autoridades brasileiras aparecem entre as hipóteses avaliadas.1
Os barrados são Riley Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, ambos subordinados diretos do secretário de Estado, Marco Rubio. Reportagem do Washington Post indicou que a dupla viria preparar um ataque à confiabilidade das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro; o Departamento de Estado nega qualquer intenção de interferência e trata a acusação como infundada. O governo brasileiro diferencia a missão dos observadores eleitorais legítimos, como os da OEA, da União Europeia e do Centro Carter, já credenciados para acompanhar o pleito.14
No Judiciário, cresce a pressão por uma reação à altura. Ministros do STF e do TSE avaliaram como tímida a nota divulgada pela equipe de Kássio Nunes Marques, presidente do tribunal eleitoral, e defendem que ele condene com dureza tanto os ataques recentes às urnas quanto a tentativa americana de deslegitimar o sistema. A expectativa é de um pronunciamento mais incisivo na reunião com embaixadores marcada para depois do recesso do Judiciário. Os dois funcionários americanos chegaram a pedir audiência com Nunes Marques, que não foi confirmada justamente por causa do recesso.23
O impasse dos vistos se soma a um contencioso bilateral que já inclui o tarifaço sobre exportações brasileiras e coloca o TSE no centro do ano eleitoral. Segundo a apuração da CNN Brasil, a missão barrada atuaria em sintonia com os ataques ao sistema de votação feitos por Flávio e Eduardo Biroliro — o que transforma qualquer chancela externa a dúvidas sobre as urnas em munição doméstica a pouco mais de dois meses do primeiro turno.34