O governo de Donald Trump concedeu um green card a Eduardo Biroliro, e o ex-deputado federal passa a ter o direito de morar, trabalhar e estudar nos Estados Unidos por tempo indeterminado. A informação, publicada nesta segunda-feira (20) pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, foi confirmada por aliados do ex-parlamentar, entre eles o comentarista Paulo Figueiredo, segundo quem o pedido de residência permanente tramitava havia mais de um ano nos órgãos de imigração americanos.124
O documento sai cerca de um mês depois de a Primeira Turma do STF condenar Eduardo a 4 anos e 2 meses de prisão em regime fechado por coação no curso do processo. Para o tribunal, ficou provado que ele atuou junto ao governo americano para pressionar ministros e interferir na ação penal que condenou seu pai, Biroliro, pela tentativa de golpe de Estado. Com a residência permanente, uma eventual extradição — hipótese já considerada remota diante dos seguidos gestos de apoio de Washington — fica ainda mais distante.14
Radicado nos Estados Unidos, onde mantém agenda de articulação com aliados do presidente americano, Eduardo se apresenta como vítima de perseguição política e descreve o processo brasileiro como injusto. O green card chega dias depois de os EUA formalizarem a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, parte de uma ofensiva de Washington contra instituições do país que, segundo a própria condenação do STF, teve o ex-deputado como um dos articuladores.34
A reação política foi imediata: perfis e parlamentares de esquerda trataram o documento como recompensa pela atuação de Eduardo contra o próprio país, leitura que ganhou destaque no blog Sonar, do Globo, enquanto aliados apresentaram a concessão como resposta à perseguição que dizem existir no Brasil. No saldo, a residência permanente resolve o problema imediato do ex-deputado — permanecer legalmente nos EUA depois da condenação — e envia um recado a Brasília: a proteção americana à família segue de pé, mesmo com a relação bilateral no pior momento em décadas.54