O Ministério da Fazenda vai estender até 31 de agosto o prazo de adesão ao Desenrola 2.0, a atual edição do programa federal de renegociação de dívidas, que se encerraria neste fim de mês. O anúncio foi feito nesta terça-feira (28) pelo ministro Dario Durigan, em decisão tomada em conjunto com o presidente Lula; o ato que formaliza a prorrogação deve ser publicado até sexta (31). A nova data coincide com o limite de vigência da medida provisória que rege o programa, editada em 4 de maio.12

Segundo a Fazenda, mais de 9 milhões de famílias já passaram pelo programa: cerca de 5 milhões foram retiradas automaticamente dos cadastros de inadimplentes por dívidas de pequeno valor, 2,5 milhões renegociaram e quitaram à vista e 1,6 milhão optou pelo parcelamento. Em menos de três meses, a edição atual movimentou R$ 44,7 bilhões em crédito renegociado — mais de 80% dos R$ 53 bilhões da primeira rodada do Desenrola. Com os 30 dias extras, a meta declarada do governo é chegar a 10 milhões de beneficiados.12

O programa atende pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas de cartão de crédito, cheque especial ou crédito pessoal contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 91 dias e dois anos. As condições preveem descontos de até 90%, juros limitados a 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 meses, com a possibilidade de usar o saldo do FGTS como garantia para baratear o crédito.2

A extensão atende a um pedido dos próprios bancos e de interessados que ainda estão na fila para concluir operações com o FGTS. Durigan afirmou que a medida não tem impacto para o Tesouro Nacional, já que o desenho se apoia em renegociação entre credores e devedores, com garantias, e não em subsídio direto. Há ainda um incentivo cruzado: estar regularizado no Desenrola é requisito para acessar o programa federal de renovação de frota de veículos.1