O procurador-geral da República, Paulo Gonet, entregou na segunda-feira (14) ao Conselho Superior do Ministério Público Federal uma manifestação de 30 páginas em que rejeita as suspeitas levantadas a partir do celular de Daniel Vorcaro. O órgão marcou para 25 de setembro a sessão que vai decidir se ele continua à frente das investigações sobre o Banco Master. O relator do procedimento é o subprocurador-geral Francisco de Assis Sanseverino.12
No documento, segundo O Globo, Gonet acusa a Polícia Federal de leviandade ao tratar diálogos de terceiros como indício de proximidade com o ex-banqueiro. Ele sustenta que não existe elemento capaz de justificar seu afastamento nem a abertura de investigação criminal, nega qualquer relação de amizade com Vorcaro e afirma que o único encontro presencial entre os dois ocorreu em abril de 2024, em Londres, num evento jurídico do Grupo Voto e da revista Consultor Jurídico. A ligação intermediada pelo advogado Ciro Soares em março de 2025 teria sido apenas uma saudação rápida.16
O procedimento foi aberto em 4 de setembro, depois de representação de deputados do Novo protocolada dois dias antes, à qual se somaram líderes do PL e da oposição. Gonet recebeu prazo de dez dias para se explicar. O material da PF mostra Soares como interlocutor entre Vorcaro e o procurador-geral: em abril de 2024 ele escreveu ao banqueiro que Gonet era firme; em março de 2025 enviou uma foto ao lado do PGR pedindo que Vorcaro ligasse, com quatro chamadas registradas na sequência; e o filho Pedro Gonet apareceu em lista de convidados para viagem a Londres com despesas pagas pelo dono do Master.34
Os autores da representação pediram a designação de um subprocurador-geral para conduzir com independência os procedimentos do Master que envolvam o PGR, além de apuração por prevaricação e pedido de impeachment. Desde 4 de setembro, o vice-procurador-geral Hindenburgo Chateaubriand Filho assina as peças da investigação. Em 1º de setembro, Gonet já havia pedido ao STF a nulidade dos atos de André Mendonça que embasaram as apurações sobre ele, Alexandre de Moraes e Andrei Rodrigues, com o argumento de que juiz não acusa nem investiga antes do processo.45
Leitura editorial: o conselho é presidido pelo próprio Gonet, o que torna a sessão de 25 de setembro tão delicada quanto a do Supremo. A diferença é que, enquanto o pedido de vista de Flávio Dino travou o caso Moraes por até 90 dias, aqui há data e objeto concretos: quem comanda, pelo Ministério Público, a maior investigação de fraude bancária dos últimos anos. O registro de Mendonça de que nada colhido indicava ilícito do PGR pesa a favor de Gonet, mas não dissolve o conflito de interesse aparente que a oposição explora.25