O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal saíram às ruas na manhã desta quinta-feira (24) para a terceira fase da Operação Carbono Oculto. São 27 mandados de busca e apreensão em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo, autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva. Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, diretor do Banco Genial, seus irmãos André e Bruno Tupinambá e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos. Procuradoria-Geral do Estado, Fazenda paulista e as polícias Civil e Militar apoiam a ação.12
O objeto é a compra da Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana. Segundo o Gaeco, o grupo montou uma engrenagem societária e financeira para assumir a distribuidora e esconder patrimônio em fundos (Radford, Derby 44 e Los Angeles 01), em holdings abertas poucos meses antes (Berna e Branson) e em operações consideradas atípicas. Mais de R$ 120 milhões teriam transitado por contas de passagem de Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi antes de chegar à estrutura compradora. Os promotores apontam Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, como chefes da organização. A Terrana já era descrita desde 2025 como o braço fluminense da Copape, com atuação nos portos de Angra dos Reis e do Açu.126
Freixo Junior é figura nova nesse enredo, mas velha conhecida do caso Master. Apelidado de Mineiro, ele teve a delação homologada pelo ministro André Mendonça em 9 de setembro, quando relatou ter gerado dinheiro vivo para a equipe de Daniel Vorcaro e movimentado R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025. Sua Entre Investimentos é também a empresa que repassou recursos ao filme Dark Horse. A busca desta quinta o alcança em jurisdição estadual, por fatos distintos, duas semanas depois do acordo com a Procuradoria-Geral da República.31
Para o Genial, a mudança é de patamar. Na primeira fase, em agosto de 2025, o banco foi citado sete vezes como administrador fiduciário do fundo Radford, renunciou ao serviço e ouviu do MPSP que era terceiro de boa-fé; ainda assim, a Procuradoria do Estado obteve o bloqueio de R$ 176 milhões em fundos sob sua gestão. Agora um diretor é alvo em nome próprio, e o Radford reaparece na lista de estruturas investigadas. As primeiras reportagens da manhã não traziam manifestação do banco nem das defesas.42
A sequência mostra a investigação subindo na cadeia financeira. A segunda fase, batizada de Fluxo Oculto e deflagrada em 28 de maio, bloqueou cerca de R$ 204 milhões em três FIDCs custodiados pela Trustee, distribuidora de um ex-responsável pela área de investimentos do Master. A leitura editorial é que os dois maiores escândalos financeiros do país, o do PCC nos combustíveis e o do Master, deixaram de ser vizinhos e passaram a compartilhar personagens em autos formais.51