Um incêndio criminoso destruiu, na madrugada desta quarta-feira (5), o Fusca 1976 do vereador Pedro Dornas (Avante), estacionado em frente à casa do parlamentar, na Vila Operária, região central de Nova Lima. Câmeras de segurança registraram, por volta das 2h10, um homem de capacete e roupas escuras caminhando com um galão em direção ao veículo; dois minutos depois, ele reaparece sem o recipiente, e um clarão toma a rua. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas o carro — um exemplar de coleção que virou marca do programa de rua mantido pelo vereador — já estava consumido pelas chamas. Ninguém se feriu.12

A Polícia Civil apura o caso como incêndio criminoso, cruzando as imagens das câmeras particulares com o material do CIAP, a central de monitoramento do município. Segundo a Polícia Militar, dois homens compraram gasolina em um posto da cidade por volta das 0h30, cerca de uma hora e meia antes do ataque; um ciclista visto circulando na região no mesmo horário também entrou na mira dos investigadores. A perícia esteve no local, e até a noite de quarta nenhum suspeito havia sido identificado ou preso.123

Em depoimento e em manifestações ao longo do dia, Dornas classificou o episódio como atentado e falou em violência política: disse ter convicção de que a motivação está ligada a ações do seu mandato e afirmou ter recebido informações sobre a movimentação de um grupo. O próprio vereador, porém, ponderou que é cedo para conclusões definitivas e que a palavra final cabe à investigação da Polícia Civil — ressalva que vale dobrada enquanto não há autoria estabelecida.13

A reação institucional foi imediata e unânime. A Câmara Municipal divulgou nota oficial tratando o ato como atentado ao livre exercício do mandato; o presidente da casa, Thiago Almeida, e vereadores de diferentes campos repudiaram o ataque, e o prefeito João Marcelo informou que as forças de segurança trabalham no caso desde a manhã de quarta. Motivação à parte — e ela ainda não está provada —, um carro incendiado à porta da casa de um parlamentar é fato raro na política de Nova Lima, e o desfecho da investigação dirá se o episódio fica como caso isolado ou como precedente perigoso.34