As compras internacionais de até US$ 50 voltaram a crescer em ritmo acelerado depois que o governo zerou o imposto de importação sobre essa faixa. Em junho, primeiro mês completo sob a nova regra, o volume de encomendas subiu 40% em relação a maio e 74% na comparação com abril, o último mês inteiro em que a cobrança federal de 20% ainda valia. As importações pelo programa Remessa Conforme somaram R$ 2,6 bilhões no período, alta de 101% sobre junho de 2025 e de 68% sobre junho de 2024, segundo dados da Receita Federal compilados pelo BTG Pactual.12
A isenção veio pela Medida Provisória 1.357, em vigor desde 12 de maio, que desmontou a chamada 'taxa das blusinhas' criada em agosto de 2024. Para remessas entre US$ 50 e US$ 3 mil, a alíquota de 60% foi mantida, agora com dedução fixa de US$ 30 do valor devido. O texto também alterou o Decreto-Lei 1.804/1980 para permitir que o Ministério da Fazenda redefina alíquotas sobre remessas internacionais, e precisa ser votado pelo Congresso em até 120 dias para não perder validade.32
A mudança não significa compra livre de tributos. O ICMS estadual, de 17% a 20% conforme o estado, continua incidindo sobre as encomendas, o que mantém a carga total acima da que existia antes da criação do Remessa Conforme. Na prática, as maiores beneficiadas são as plataformas asiáticas de varejo — Shein, Shopee e AliExpress concentram boa parte do fluxo dessas remessas de baixo valor.21
A leitura editorial: a reversão fecha um ciclo político peculiar. A taxa nasceu em 2024 sob pressão do varejo nacional, que reclamava de concorrência desleal das plataformas estrangeiras, e morre em ano eleitoral, quando aliviar o bolso do consumidor pesa mais que o argumento da isonomia tributária. Os números de junho dão munição aos dois lados na tramitação da MP: o consumidor respondeu imediatamente ao estímulo, e o varejo doméstico tende a usar justamente esse salto das importações como argumento contra a isenção no Congresso.13