A fila de requerimentos do INSS diminuiu com rapidez em 2026, mas a melhora veio acompanhada de um salto nas negativas. Em junho, os indeferimentos chegaram perto de 1 milhão, segundo dados do Ministério da Previdência compilados pelo g1. O estoque, que havia alcançado cerca de 3,1 milhões de pedidos no início do ano, estava em 1,8 milhão no fim de junho e caiu para aproximadamente 1,68 milhão em 14 de julho. A redução é relevante para quem espera aposentadoria, pensão, auxílio por incapacidade ou Benefício de Prestação Continuada, mas o número de processos encerrados, sozinho, não mostra se os direitos foram corretamente reconhecidos.123

No balanço oficial de junho, 825 mil requerimentos aguardavam havia menos de 45 dias, 555 mil superavam esse prazo e 451 mil dependiam de alguma providência do segurado, como o envio de documentos. O INSS informou tempo médio de conclusão de 50 dias e média mensal de 700 mil concessões, com recorde de 890 mil em março. A autarquia atribuiu a melhora a mutirões, telemedicina, análise documental de atestados, contratação de servidores e redução de 45 para 30 dias no prazo interno do programa que remunera análises adicionais.2

O crescimento das recusas exige cautela na leitura triunfalista da fila menor. Auditoria do Tribunal de Contas da União concluiu em junho que a automação ainda não alcançou plenamente a redução esperada no tempo de análise e que o sistema pode ignorar informações pendentes sem dar ao segurado a oportunidade de corrigi-las. Em amostra de auditoria interna do INSS referente a 2025, 280.231 de 543.419 pedidos processados eletronicamente foram negados, ou 51,57%. O TCU determinou ajustes para que valores incontroversos sejam liberados e pendências capazes de aumentar o benefício sejam informadas. A fila está, de fato, menor; saber quanto disso representa eficiência e quanto apenas transferência do problema para recursos administrativos ou para a Justiça é a pergunta decisiva.145