O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, maior número da série histórica e avanço de 4% sobre os 1.504 casos do ano anterior. A média foi de 4,3 mulheres mortas por dia. O movimento contrasta com a queda de 8,2% das mortes violentas intencionais no país, que recuaram para 40.775 — o menor patamar em 13 anos. Os números constam do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) com dados fornecidos pelas autoridades estaduais e federais de segurança.12
A violência de gênero respondeu por 44,4% dos 3.539 assassinatos de mulheres contabilizados em 2025, a maior proporção desde que o feminicídio foi incluído no Código Penal, em 2015. Também foram registradas 4.189 tentativas, alta de 5,9% em um ano: quase três sobreviventes para cada crime consumado. Centro-Oeste e Norte tiveram as maiores taxas combinadas de casos consumados e tentados, respectivamente 9,8 e 8 vítimas por 100 mil mulheres; os índices foram de 5,2 no Sul, 4,8 no Nordeste e 4,2 no Sudeste.12
Os registros anteriores ao desfecho letal dimensionam a escalada. Para cada feminicídio, o país contabilizou aproximadamente 502 ameaças, 182 agressões físicas e 79 casos de perseguição contra mulheres. O descumprimento de medidas protetivas foi o único crime analisado que cresceu nas 27 unidades da Federação em 2025. Uma parcela do avanço pode refletir melhora na identificação e na classificação policial, mas a continuidade da alta em feminicídios, tentativas e violações de medidas judiciais impede reduzir o fenômeno a um simples ajuste estatístico. Enquanto homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte caíram, a violência fatal dirigida às mulheres seguiu na direção oposta.12