Facções criminosas do Rio de Janeiro passaram a empregar drones adaptados para lançar granadas e bombas improvisadas na disputa por território. Levantamento da Band identificou ao menos cinco ataques registrados por moradores entre o fim de maio e 20 de julho — média de um episódio a cada dez dias —, principalmente nas zonas Norte e Oeste. A aeronave comercial, antes usada sobretudo para vigiar rivais e operações policiais, agora permite atacar à distância e por cima das barreiras físicas das comunidades.12
A mudança já produziu vítimas civis. Em Costa Barros, um explosivo caiu perto de crianças que brincavam na rua e feriu um jovem de 23 anos com estilhaços. Em 1º de agosto, dois homens que montavam brinquedos para uma festa infantil na comunidade do Dourado, em Cordovil, tiveram ferimentos leves depois que outro artefato foi lançado do ar. Na mesma sequência de episódios, houve explosão no Complexo da Penha, um morador foi ferido em Curicica e uma granada apareceu no telhado de uma creche municipal no Jardim América. A Polícia Civil investiga os casos, enquanto a Polícia Militar atribui parte dos confrontos à disputa entre Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro.23
Não se trata apenas de uma arma nova no repertório das facções, mas de uma alteração prática no risco imposto a bairros densamente povoados: o operador pode agir longe do ponto de impacto, e o explosivo não distingue o alvo pretendido de casas, escolas, festas ou pedestres. A Polícia Civil estruturou uma coordenadoria especializada para rastrear drones do crime e empregar aeronaves próprias em operações e coleta de provas. A resposta, porém, ainda está concentrada em inteligência e monitoramento; a sucessão de ataques mostra que a capacidade ofensiva já chegou às ruas antes de uma proteção pública equivalente.123