As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 13% ante o mesmo período do ano passado. Com isso, o mercado americano respondeu por 9,4% das vendas externas do Brasil — a menor participação para os seis primeiros meses de um ano desde o início da série, em 1997. Um ano antes, essa fatia era de 12,1%. Os números foram compilados pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil a partir da base oficial do Comex Stat.123

A retração não acompanhou o desempenho geral do comércio exterior brasileiro. No mesmo intervalo, as exportações do país para o mundo cresceram 11,5%, com avanços de 21,9% para a China e de 12,8% para a União Europeia. Os EUA continuam como o segundo maior parceiro comercial do Brasil em bens e o principal destino dos produtos industriais brasileiros, mas perderam peso enquanto empresas redirecionaram parte dos embarques. A corrente bilateral — soma de exportações e importações — caiu 12,8%, para US$ 36,4 bilhões.123

Os dados captam principalmente os efeitos das barreiras adotadas desde 2025 e ainda não medem a tarifa adicional de 25% que começou a valer nesta quarta-feira, 22 de julho. A nova cobrança alcança cerca de 18% dos embarques brasileiros aos EUA, equivalentes a US$ 7,4 bilhões com base no comércio de 2024, e preserva mais de 2.100 itens. O contraste é relevante: o Brasil ampliou suas vendas totais mesmo com a contração no mercado americano, mas setores industriais mais dependentes dos EUA terão menos margem para absorver outra rodada de custos ou encontrar compradores alternativos rapidamente.145