O governo Donald Trump revogou nesta terça-feira, 4 de agosto, o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos. O Departamento de Estado apresentou a decisão como resposta recíproca à recusa brasileira de vistos para dois funcionários americanos que pretendiam vir ao país antes da eleição de outubro e à demora de Brasília em aprovar o nome indicado pela Casa Branca para chefiar a embaixada dos EUA no Brasil. A medida transforma uma sequência de atritos em punição direta contra a principal representante diplomática brasileira em Washington.123
Segundo autoridades americanas ouvidas pela Associated Press, Washington adiou a retaliação algumas vezes para permitir uma saída negociada. O governo Trump afirma que o cancelamento pode ser revertido rapidamente se o Brasil mudar de posição, inclusive sobre o indicado americano. Essa condição dá à revogação uma função de pressão política explícita: não se trata de rompimento formal das relações, mas de um obstáculo extraordinário ao trabalho da embaixadora e de um recado dirigido ao Palácio do Planalto.12
O episódio também amplia a interferência da disputa eleitoral no relacionamento bilateral. A negativa brasileira aos funcionários dos EUA ocorreu em meio à suspeita de que a viagem serviria para questionar o sistema eleitoral; já Washington vinculou sua reação tanto a esse bloqueio quanto à tramitação do nome escolhido para a embaixada. O efeito imediato é o estreitamento do espaço para negociação entre os dois governos. Reverter a medida exigirá acomodação diplomática em temas que Brasília tratava separadamente, enquanto mantê-la prolongará uma crise que já alcança vistos, representação política e comércio.123