Os Estados Unidos passaram a garantir defesa aérea a petroleiros no Estreito de Ormuz apenas em duas janelas fixas por dia. A informação é do Financial Times e foi reproduzida pela Reuters neste sábado (12), com base em e-mails enviados pelo centro de coordenação naval americano a consultores marítimos. A mudança entrou em vigor por volta do início de setembro e vale para os navios que usam a rota próxima à costa de Omã, no lado sul do estreito.12

O motivo declarado é o aumento dos ataques iranianos a embarcações que cruzam a região durante a noite. Washington oferece cobertura aérea nessa rota desde maio, como alternativa a uma escolta naval direta que a Marinha americana sempre disse não ter capacidade de sustentar. Na prática, a orientação aos armadores passou a ser evitar a travessia de madrugada e concentrar a passagem nos horários protegidos. As reportagens não revelam quais são as duas janelas.13

A restrição chega depois de um agosto com mais de uma dezena de incidentes registrados e de um novo ataque em 9 de setembro, quando os petroleiros Hercules Star, de bandeira de Gibraltar, e New Andros, do Panamá, foram atingidos por projéteis. No primeiro, um tripulante morreu e outro está desaparecido. O estreito, por onde passava um quinto do petróleo comercializado no mundo, está sob bloqueio iraniano desde o fim de fevereiro, quando começaram os ataques dos EUA e de Israel. Hoje o Irã exige autorização prévia para a passagem e estuda cobrar uma taxa de serviço.645

Na frente diplomática, o Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou na sexta (11) uma reunião na segunda-feira (14), em Omã, com os chanceleres dos países do Conselho de Cooperação do Golfo e do Iraque. O chanceler Abbas Araghchi participa. O objetivo declarado é ampliar o entendimento regional e a segurança compartilhada, o que inclui a possível reabertura do estreito. Irã e Omã já haviam acertado uma rota de navegação, a remoção de minas e um arranjo temporário de gestão do tráfego.45

A leitura editorial é que a limitação de horários é uma admissão de limite operacional: os EUA nunca escoltaram navios individualmente e agora deixam de cobrir as 24 horas do dia justamente no período em que o Irã mais ataca. Para o Brasil, o efeito chega pelo preço do petróleo, que segue acima de US$ 100 o barril, e pelos custos de frete e seguro. A reunião de segunda pode destravar um acordo regional ou apenas reafirmar o controle iraniano sobre a passagem; as duas hipóteses seguem abertas.14