Donald Trump suspendeu na sexta-feira (24) uma nova rodada de ataques contra o Irã, após quase duas semanas de bombardeios, e manteve a pausa durante o fim de semana. O presidente disse que atendeu a um pedido dos países envolvidos na mediação e que pretende dar outra oportunidade à negociação. Ao mesmo tempo, autoridades americanas discutiam o risco de uma escalada consumir ainda mais os estoques de interceptadores Patriot e de outras munições de defesa aérea.123
A falta de mísseis não foi apresentada oficialmente como causa única da decisão. Trump afirmou que os arsenais estão em boa situação, embora tenha admitido que gostaria de dispor de mais armamentos. Um funcionário americano relatou à Associated Press que o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, alertou o presidente de que o nível dos estoques poderia afetar as operações no Irã. A leitura mais prudente é que a disponibilidade de munição entrou no cálculo ao lado da pressão regional e da tentativa de reabrir a via diplomática.12
A interrupção produziu uma trégua limitada: o Irã também parou os ataques retaliatórios contra instalações americanas e países que hospedam tropas dos EUA. Não houve, contudo, acordo de cessar-fogo definitivo. Trump afirmou que poderá retomar uma ação militar intensa se as conversas fracassarem e indicou que não pretende conceder muito tempo aos negociadores. Qatar, Paquistão, Omã e outros interlocutores tentam aproximar Washington e Teerã.13
O Estreito de Ormuz permanece no centro da crise. A passagem, essencial para o transporte mundial de petróleo, continua fechada, enquanto Irã e Omã discutem mecanismos para administrar o tráfego marítimo. Os Estados Unidos mantêm o bloqueio naval contra portos iranianos. Assim, a pausa reduz por ora o risco de novos ataques diretos, mas não resolve o impasse que desencadeou a última escalada nem elimina a pressão sobre as defesas americanas espalhadas pelo Oriente Médio.123