A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a parte das importações brasileiras entrou em vigor às 0h01 desta quarta-feira, 22 de julho, no horário da Costa Leste americana — 1h01 em Brasília. A medida foi adotada pelo governo Donald Trump com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, após uma investigação de um ano que atribuiu ao Brasil práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano em áreas como serviços digitais, pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.12

A regra alcança mercadorias despachadas a partir do início da cobrança. Cargas que já estavam em trânsito mantêm a isenção se chegarem e forem liberadas para consumo nos Estados Unidos até 0h01 do dia 29. Segundo estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a sobretaxa incide sobre aproximadamente 18% das exportações brasileiras ao mercado americano, equivalentes a US$ 7,4 bilhões com base nos embarques de 2024. A Amcham Brasil calcula que cerca de 3 mil produtos estão sujeitos à nova cobrança e estima em até US$ 11 bilhões as transações potencialmente perdidas.2

A lista americana também preserva mais de 2.100 produtos, entre eles categorias de carnes, frutas, café, aeronaves e componentes, medicamentos e determinados minérios. As exceções reduzem o alcance da medida, mas não eliminam a pressão sobre exportadores que dependem do segundo maior destino dos bens brasileiros. O governo dos EUA afirma que recebeu mais de 360 contribuições e ouviu 77 testemunhas antes da decisão; Brasília contesta as justificativas, prepara crédito para setores afetados e mantém a Lei da Reciprocidade como instrumento possível, sem anunciar retaliação imediata. A entrada em vigor transforma uma ameaça já precificada em custo comercial concreto, embora o impacto final dependa da adaptação dos contratos e da continuidade das negociações.12