Um vídeo gravado em 22 de agosto de 2025 no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, mostra o ministro Alexandre de Moraes e a advogada Viviane Barci de Moraes desembarcando de um jato Legacy 650, prefixo PP-NLR. As imagens, extraídas de uma transmissão ao vivo de um canal de aviação, foram reveladas pelo colunista Lauro Jardim, do Globo, e dominaram o noticiário deste domingo (20).12
A aeronave pertencia à Fraction 024, sociedade com participação do fundo Viking Participações, de Daniel Vorcaro, e era operada pela Prime Aviation, empresa na qual o fundador do Banco Master também tinha fatia minoritária, por meio de outro fundo. Mensagens recolhidas pela Polícia Federal indicam que, na véspera do voo, uma funcionária da operadora avisou o banqueiro de que o avião estava reservado para o escritório, e ele orientou que o pedido fosse atendido.13
Horas depois da divulgação, o escritório Barci de Moraes confirmou, em nota, que contratou serviços de táxi aéreo da Prime Aviation e que o ministro acompanhou a esposa em parte das viagens. A banca sustenta que a escolha seguiu critérios operacionais, que cabe à operadora definir qual aeronave atende cada voo, que Vorcaro não esteve a bordo em nenhuma ocasião e que não há vínculo pessoal com os donos dos aviões. Também nega ter contrato de advocacia com a empresa aérea.23
O pano de fundo é um acordo de honorários com teto de R$ 50 milhões entre o escritório e a Viking, datado de 12 de maio de 2025 segundo os documentos da investigação. Desse total, R$ 40 milhões seriam quitados não em dinheiro, mas com cotas de sociedades donas do Legacy 650 e de um helicóptero. O escritório contesta que o arranjo tenha sido concretizado. Antes dele, a banca já mantinha com o Master um contrato de R$ 131 milhões.13
O ponto sensível é a distância em relação ao que o ministro vinha dizendo. Moraes havia afirmado publicamente que nunca viajou em avião de Vorcaro e classificou como falsa uma reportagem anterior sobre o tema. A nota do escritório não o desmente na letra — o argumento é que se tratava de táxi aéreo contratado, não de avião cedido pelo banqueiro —, mas confirma o fato físico em disputa: ele esteve a bordo de aeronave ligada ao dono do Master.12
A revelação chega em momento delicado no Supremo. A Petição 16.662, que discute se a relação entre Moraes e Vorcaro deve ser investigada, está parada por pedido de vista de Flávio Dino, sem voto de mérito. O vídeo não altera o rito, mas muda o peso do que os ministros terão de avaliar quando o caso voltar: além de mensagens de terceiros, há agora um deslocamento documentado e admitido pela própria banca da família.23