A ofensiva das montadoras chinesas virou o principal vetor do mercado automotivo brasileiro em 2026. Os emplacamentos de carros 100% elétricos triplicaram no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2025, chegando a 90 mil unidades, segundo a Fenabrave — avanço puxado pela oferta agressiva de marcas como BYD e GWM, com modelos a partir de R$ 110 mil que atraem sobretudo taxistas e motoristas de aplicativo.12
O efeito transborda para o mercado como um todo. As vendas de veículos leves cresceram 20,1% no semestre, para 1,35 milhão de unidades, e a Fenabrave elevou a projeção de crescimento do ano de 3% para 8,8% — o equivalente a 2,7 milhões de emplacamentos. O presidente da entidade, Arcelio Junior, atribui parte do movimento à queda de preços provocada pela concorrência chinesa, que trouxe de volta às lojas compradores que vinham adiando a troca de carro.2
A BYD é o caso mais visível: com 7,2% do mercado, tornou-se a quarta marca mais vendida do país, à frente de Hyundai, Toyota e Renault, e vendeu no semestre quase o volume de todo o ano passado. Em junho, cruzou a marca de 300 mil eletrificados vendidos em quatro anos de Brasil — 100 mil deles apenas nos últimos seis meses, com o Dolphin Mini na liderança. A fábrica de Camaçari (BA), investimento de R$ 5,5 bilhões, tem capacidade inicial de 300 mil veículos por ano e plano de dobrar esse volume.23
A capilaridade acompanha o avanço: cerca de 1.360 concessionárias já representam marcas chinesas, o equivalente a 16,2% da rede nacional. Para as montadoras tradicionais, porém, o alívio de vender mais vem acompanhado de margens comprimidas e da desvalorização acelerada de elétricos e híbridos já em circulação, que derruba os preços também no mercado de usados — o outro lado de uma guerra de preços que, por ora, favorece o consumidor.21