Mais de 100 pessoas morreram no deslizamento que atingiu uma mina artesanal de ouro em Zamboye, no oeste da República Centro-Africana, perto da fronteira com Camarões. O terreno cedeu na terça-feira (18), derrubando túneis subterrâneos e soterrando trabalhadores. O número de vítimas ainda é provisório: corpos continuavam sendo retirados do local nesta quinta-feira (20), enquanto um contingente desconhecido permanecia desaparecido sob a terra. Sobreviventes em estado grave foram encaminhados para atendimento médico na região.12

A dimensão exata da tragédia segue incerta porque as equipes locais não conseguiram determinar quantas pessoas estavam na área no momento do desabamento. A Cruz Vermelha participa das buscas, mas trabalhadores afirmam que faltam máquinas, equipamentos de proteção e pessoal especializado para uma operação desse porte. Mais de dez corpos foram encontrados somente na manhã de quinta, segundo um voluntário envolvido no resgate. Parte das vítimas era de Camarões, cujo governo enviou uma equipe para avaliar a situação na zona fronteiriça e se preparou para receber feridos.12

A Promotoria de Baboua abriu uma investigação para esclarecer a causa do colapso, identificar as vítimas, descobrir quem administrava o garimpo e apurar eventual responsabilidade criminal. A mina operava com métodos artesanais, em uma região onde poços e túneis são frequentemente escavados à mão e sem sustentação suficiente. Acidentes desse tipo são recorrentes no país, onde milhares de pessoas dependem da mineração de pequena escala e trabalham com pouca proteção. Neste caso, a precariedade não aparece apenas como pano de fundo: ela também limita a capacidade de localizar sobreviventes nas primeiras horas, quando o tempo tem efeito direto sobre as chances de resgate.12