O desemprego no Brasil ficou em 5,3% no trimestre de junho a agosto, a menor taxa para o período desde o início da série da Pnad Contínua, em 2012, informou o IBGE nesta terça (29). O índice era de 5,6% tanto no trimestre encerrado em maio quanto um ano antes. A população ocupada chegou a 103,5 milhões, recorde, com 774 mil pessoas a mais em três meses. Os desocupados somam 5,8 milhões, 281 mil a menos, e a força de trabalho, de 109,3 milhões, também é a maior já medida.12

A alta veio sobretudo da construção, que abriu 306 mil vagas (4,1%), e da indústria, com 265 mil (2%). O emprego com carteira no setor privado atingiu 39,5 milhões, outro recorde, enquanto a informalidade ainda alcança 37,5% dos ocupados, ou 38,8 milhões de pessoas. Contribuem para a previdência 68,5 milhões de trabalhadores, 66,2% do total.1

O rendimento médio ficou em R$ 3.777, com ganho real de 3,7% em um ano. A massa de rendimentos, soma do que recebem todos os ocupados, chegou a R$ 385,6 bilhões, máxima da série, com avanço de 1,4% no trimestre e de 4,8% em doze meses.15

O mesmo dia trouxe o avesso do quadro. As estatísticas de crédito do Banco Central mostram que a inadimplência do sistema financeiro subiu a 5% em agosto, maior nível desde o início da série, em março de 2011. Entre as famílias, a taxa foi a 6%, alta de 0,2 ponto no mês e de 1,1 ponto em um ano; no crédito livre, chegou a 8%. O atraso no rotativo do cartão bateu 66,2%, e o do consignado de trabalhadores do setor privado, 10,6%, ambos recordes. Entre as empresas, o indicador ficou parado em 3,3%.34

O custo do dinheiro ajuda a explicar. O juro médio do crédito livre para pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano, 1,4 ponto acima de julho. As dívidas das famílias equivaliam, em julho, a 49,9% da renda acumulada em doze meses, e 28,7% da renda estava comprometida com parcelas.34

A leitura é que emprego e salário em alta não têm bastado para fechar a conta de quem tomou crédito caro. E o aquecimento cobra seu preço: com a Selic em 13,75% e a inflação de serviços em 5,47% em doze meses, a massa salarial recorde tende a manter a pressão sobre os preços e a dificultar cortes de juros. Economistas projetam desemprego de 5,6% no fim de 2026.5