Um prédio de 12 andares em construção veio abaixo por volta das 2h de sábado (12) na Rua Tequici, na Penha, zona leste de São Paulo, e caiu sobre uma casa vizinha ocupada por famílias de origem boliviana. Até a manhã deste domingo (13), o Corpo de Bombeiros contabilizava três mortos: duas mulheres, uma delas grávida, e um homem retirado dos escombros na noite de sábado. Outras três pessoas seguem desaparecidas. Dois sobreviventes, um homem e uma criança, foram levados ao pronto-socorro do Tatuapé com ferimentos leves.123
A operação já passa de 30 horas. Setenta bombeiros, 22 viaturas e um cão de busca permanecem no local, com maquinário pesado para remover a estrutura. Três casas vizinhas foram interditadas. A Defesa Civil acompanha o trabalho e afirma que, apesar da chuva forte no fim de semana, não é possível atribuir o colapso à precipitação. A causa dependerá da perícia da Polícia Civil.123
O histórico da obra é o ponto que a Prefeitura já reconhece como problemático. Em 2019, a construção foi autuada e interditada por falta de alvará, mas continuou. Em 2021, a construtora New Home recebeu multa de R$ 119 mil, e a Procuradoria-Geral do Município foi à Justiça para barrar a obra e pedir a demolição. A nova autorização ficou condicionada a derrubar a estrutura antiga. Em 22 de fevereiro de 2024, uma servidora da Subprefeitura da Penha atestou que a demolição tinha sido feita na íntegra. As imagens do desabamento e os relatos de vizinhos indicam o contrário.45
O prefeito Ricardo Nunes acionou a Polícia Civil para prender os donos da construtora, pai e filho, sendo o filho o engenheiro responsável técnico pelo edifício. Também encaminhou à Controladoria-Geral do Município a apuração do ateste de 2024 e determinou o afastamento da servidora por ao menos 30 dias. O advogado da New Home, Alexandre Sampi, sustenta que a empresa tinha alvará, que o embargo anterior teria sido cassado e que só um laudo técnico poderá apontar as causas. O governador Tarcísio de Freitas disse que a obra estava embargada e havia sido executada em desacordo com o que fora autorizado.345
Leitura editorial: o caso vai além do luto imediato. Se a vistoria de 2024 for confirmada como falsa ou negligente, a responsabilidade se estende do canteiro à fiscalização municipal, e a cadeia de quem assinou o quê tende a pesar tanto quanto o laudo estrutural. Enquanto as buscas continuam, o balanço de vítimas ainda pode mudar.34