O Corpo de Bombeiros retirou mais dois corpos dos escombros na manhã deste domingo (13), e o balanço do desabamento na Rua Tequici, na Penha, zona leste de São Paulo, chegou a cinco mortos, entre eles uma mulher grávida. Uma criança continua desaparecida. Duas pessoas saíram com vida, uma menina e um homem de cerca de 30 anos, e foram levadas ao Hospital Municipal do Tatuapé. As buscas passam de 34 horas, com 22 viaturas, 70 bombeiros e um cão farejador no local. A CNN Brasil falava em seis mortos no início da tarde, número que ainda não tinha confirmação oficial.124

O prédio em construção, com 11 ou 12 pavimentos conforme a fonte, cedeu por volta das 2h de sábado (12) e caiu sobre a casa vizinha, onde moravam nove pessoas. Ali vivia uma família boliviana que também mantinha uma oficina de costura.12

A Prefeitura abriu apuração na Controladoria-Geral do Município e afastou por 30 dias a servidora da Subprefeitura da Penha que assinou, em fevereiro de 2024, o laudo atestando a demolição da estrutura antiga do terreno. Essa demolição era condição do alvará concedido em agosto de 2023. Segundo o controlador-geral, Daniel Falcão, checagens com moradores e imagens de satélite indicam que ela nunca foi feita. O histórico é longo: a obra começou em 2019 sem alvará, foi autuada e interditada, acumulou R$ 119 mil em multas e, em 2021, foi paralisada por liminar obtida pela procuradoria municipal.25

O prefeito Ricardo Nunes acionou a Polícia Civil para prender os donos da construtora New Home, pai e filho. O filho é também o engenheiro responsável técnico. O caso corre no 24º Distrito Policial, e não havia prisão confirmada até o meio-dia. O advogado da empresa, Alexandre Sampi, sustenta que a obra estava regular, com alvará válido e embargo cassado. A construtora diz apurar internamente, não se eximir de responsabilidade e investigar se movimentações de terra em terreno vizinho contribuíram para a queda. O governador Tarcísio de Freitas afirmou que a obra estava embargada e que a execução não batia com o que fora autorizado.234

Leitura editorial: com o resgate perto do fim, o centro do caso passa a ser a cadeia de fiscalização. O laudo de 2024 foi a peça que destravou o alvará, e a própria Prefeitura já admite que ele não corresponde à realidade. Se a demolição não aconteceu, há responsabilidade a apurar tanto na empresa quanto no poder público, e o afastamento de uma única servidora dificilmente encerra a questão.13