Um grupo armado com fuzis cortou a cerca do Aeroporto Internacional de Guarulhos na tarde desta sexta-feira (31) e invadiu a área restrita próxima ao Terminal 3 para embarcar cocaína em uma aeronave com destino à Europa. Surpreendidos por equipes da Polícia Federal, que já apuravam informações sobre tráfico no terminal, os invasores trocaram tiros com os agentes e fugiram para uma área de mata no entorno, abandonando parte da carga pelo caminho. Ninguém ficou ferido no confronto.123
As versões sobre o tamanho do grupo variam entre pelo menos cinco e cerca de dez criminosos. Câmeras de segurança registraram o corte de uma cerca de arame nas proximidades de uma obra junto ao Rio Baquirivu, na lateral do sítio aeroportuário; a PF também aponta tentativa de acesso por um canal. Segundo a corporação, o objetivo era colocar a droga em uma aeronave prestes a partir: cinco malas de cocaína que já haviam sido embarcadas foram apreendidas, e outras quatro caixas foram largadas durante a fuga, perto do Terminal 3. O peso e o valor da carga não haviam sido divulgados até a noite.123
A caçada mobilizou um aparato incomum para o entorno do aeroporto: os helicópteros Águia e Pelicano, equipes da Rota, do COE, do Baep e do Garra/Dope vasculharam a mata vizinha, sem prisões confirmadas até a última atualização. A GRU Airport, concessionária do terminal, confirmou apenas que houve uma intervenção da PF nas dependências do aeroporto, sem relatar impacto nos voos; SSP, Polícia Militar e a própria PF não haviam detalhado a ocorrência quando procuradas.13
O episódio escancara a vulnerabilidade física do maior aeroporto do país. O lado ar — a zona mais vigiada da aviação civil — foi rompido em plena tarde por um bando que precisou apenas cortar uma grade junto a um rio. Guarulhos é rota preferencial da cocaína rumo à Europa e vinha de uma sequência de operações da PF: só entre 17 e 20 de julho, oito pessoas foram presas e cerca de 100 quilos de drogas apreendidos ali, em esquemas com malas, passageiros e uma funcionária cooptada. A incursão armada com fuzis marca uma escalada de método, mais próxima de um assalto a carga do que do contrabando discreto habitual. Sem feridos e sem prejuízo operacional divulgado, o custo imediato foi baixo — mas a facilidade com que o perímetro de uma infraestrutura crítica cedeu é o dado que fica.14