O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (5) a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. É o segundo corte consecutivo: em 17 de junho, o Copom já havia baixado a taxa para 14,25%. A decisão confirma uma retirada gradual do aperto monetário, mas mantém o juro básico em nível elevado — suficiente para continuar freando consumo, investimento e demanda por crédito.12
A Selic é a principal referência do custo do dinheiro no país. Sua queda tende a baratear, com defasagem, empréstimos e financiamentos, além de reduzir a remuneração de aplicações pós-fixadas ligadas ao CDI e do Tesouro Selic. O repasse, porém, não é automático: bancos também calculam inadimplência, impostos, custos operacionais e margem de lucro. Por isso, quem paga juros no cartão, no cheque especial ou no crédito pessoal não deve esperar uma redução imediata de 0,25 ponto nas taxas cobradas.12
Para empresas, o movimento melhora marginalmente as condições de financiamento e diminui o custo de carregar dívidas, mas 14% ainda representa um obstáculo relevante à expansão. Na renda fixa, títulos e CDBs pós-fixados continuam oferecendo retorno nominal alto, embora um pouco menor. Já títulos prefixados e papéis indexados à inflação podem oscilar conforme o mercado revise a velocidade dos próximos cortes, não apenas por causa da decisão desta quarta.12
O corte também alivia, pouco a pouco, o custo de rolagem da dívida pública, mas essa economia não aparece integralmente de uma vez, porque o estoque de títulos vence em prazos diferentes. A consequência concreta da reunião é, portanto, uma mudança de direção mais clara, não dinheiro barato: famílias e empresas ganham uma perspectiva de juros menores, enquanto o Banco Central preserva espaço para interromper o ciclo caso a inflação ou as expectativas voltem a piorar.12