O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (16) a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano — a quinta queda seguida desde que o ciclo de afrouxamento começou em março, quando a taxa saiu do patamar de 15%, mantido por dez meses consecutivos e apontado como o mais alto em quase duas décadas. A decisão foi unânime entre os membros do colegiado e já era esperada pelo mercado: bateu com a projeção de 75 das 78 instituições consultadas pela Broadcast Projeções.12

O corte reflete a moderação da inflação. O IPCA de agosto ficou negativo em 0,32%, puxado pela queda de 0,34% nos preços de alimentos e a menor variação mensal em quatro anos; no acumulado de 12 meses, o índice recuou para 4,22%, ante 4,44% em julho, dentro do intervalo de tolerância de 1,5 a 4,5 pontos percentuais em torno da meta de 3% ao ano. O comunicado do Copom classificou o movimento como compatível com a estratégia de convergência da inflação à meta.32

Na prática, o corte reduz o custo do crédito e do financiamento no país, embora o ritmo de 0,25 ponto por reunião mantenha o juro real brasileiro entre os mais altos do mundo — contraste que ganhou destaque nesta semana com o Federal Reserve subindo juros nos Estados Unidos sob a nova gestão de Kevin Warsh. Para quem tem dinheiro aplicado, a Selic mais baixa também derruba o retorno de poupança, Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI, movimento que já aparecia nas simulações publicadas pelo mercado financeiro.13

O Banco Central não sinalizou o tamanho nem a existência de um próximo corte em outubro, mantendo a cautela diante de uma margem de manobra ainda limitada. A autoridade monetária deve revisar em breve sua projeção de inflação para 2026, hoje em 5,2% — número elevado em junho e visto pelo mercado como o principal indicador para o ritmo dos próximos movimentos da taxa básica.23