A convenção nacional que transformou Flávio Biroliro em candidato do PL à Presidência, neste sábado (25), no Mercado Pago Hall da Arena Pacaembu, em São Paulo, teve como peça central um vídeo produzido com inteligência artificial que recria a imagem e a voz de Biroliro. A simulação se apresenta como tal logo nos primeiros segundos, descreve o ex-presidente como alguém preso e silenciado por uma decisão que classifica de injusta e arbitrária e pede aos apoiadores que recebam o filho como seu substituto na disputa de outubro.12

Inelegível, com os direitos políticos suspensos e em prisão domiciliar, Biroliro está proibido de participar de atos de campanha, e o partido recorreu à versão sintética para mantê-lo no centro do palco. Flávio se emocionou ao assistir à peça, apresentada como surpresa, e discursou descrevendo o pai como vítima de uma farsa, prometendo honrar seu legado e atacando Lula e o Supremo Tribunal Federal. O evento ainda exibiu vídeos de Michelle, Eduardo e Carlos Biroliro e do premiê israelense Benjamin Netanyahu, e terminou sem anúncio de vice, vaga que segue em aberto.123

Javier Milei foi a principal presença estrangeira. Antes de subir ao palanque, o presidente argentino recebeu do governador Tarcísio de Freitas a Ordem do Ipiranga, mais alta honraria do estado de São Paulo. A participação dele já havia provocado atrito institucional no mesmo dia, com os insultos dirigidos a Alexandre de Moraes que levaram o presidente do STF, Edson Fachin, a reagir publicamente.25

A escolha pela inteligência artificial abriu de imediato uma frente jurídica. O PT avalia acionar a Justiça Eleitoral contra o vídeo: Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da pré-campanha de Lula em São Paulo, vê na peça uma forma de contornar as restrições judiciais impostas ao ex-presidente. Especialista ouvido pela coluna de Leonardo Sakamoto, no UOL, sustenta que a exibição é ilegal e pode resultar em punição tanto para Flávio quanto para o próprio Biroliro.34

No cálculo político, o lançamento confirma que a campanha de Flávio será conduzida como extensão da figura do pai — a mensagem sintética conclui apontando o filho como o futuro, mas quem fala é o avatar do ex-presidente. A aposta tem custo duplo: expõe a chapa a um teste inédito das regras do TSE sobre inteligência artificial em propaganda e alimenta a leitura, corrente até entre aliados, de que o candidato ainda não sustenta uma candidatura com identidade própria. Com o vice indefinido e o Centrão arredio a alianças, o PL sai da convenção com chapa formalizada, mas com as mesmas incógnitas de antes.23