O contrato para a construção do Viaduto Ferradura, uma das obras viárias mais aguardadas do Vetor Sul da Grande BH, foi assinado na segunda-feira (20), em cerimônia na sede do Ministério Público de Minas Gerais. O documento, firmado entre a Associação dos Empreendedores dos Bairros Vila da Serra e Vale do Sereno (AVS) e a Vereda Engenharia, prevê investimento estimado de R$ 42 milhões para ligar a MG-030 à BR-356, no sentido Rio de Janeiro, na divisa entre Nova Lima e Belo Horizonte.124

A obra não sai do orçamento das prefeituras. Os recursos vêm de contrapartidas urbanísticas pagas por empreendimentos imobiliários aprovados em Nova Lima, conforme acordo judicial firmado em 2017 com mediação do MPMG, que vinculou o adensamento do Vetor Sul ao financiamento de intervenções viárias. O órgão acompanha o cumprimento do termo e reuniu na assinatura os prefeitos João Marcelo Dieguez, de Nova Lima, e Álvaro Damião, de Belo Horizonte.23

Na prática, o viaduto elimina a volta obrigatória pelo trevo do BH Shopping para quem trafega entre a MG-030 e a BR-356 — hoje um dos principais gargalos da ligação entre os dois municípios, com reflexos na BR-040 e no Anel Rodoviário. A estrutura, projetada em formato de ferradura, integra um pacote de intervenções que inclui a Avenida Doutor Flávio Guimarães e o Parque Linha Férrea, conectando bairros como Vila da Serra, Vale do Sereno e Belvedere.14

O cronograma prevê início das obras em setembro e prazo de execução de até 24 meses a partir da ordem de serviço — ou seja, entrega possível em 2028. Segundo o MPMG, não há previsão de supressão significativa de vegetação. Damião, porém, admitiu que uma intervenção desse porte gera impacto no trânsito durante a execução e vai exigir coordenação entre as equipes de mobilidade das duas cidades.234

Entre o acordo de 2017 e a assinatura do contrato, passaram-se nove anos — intervalo em que Vale do Sereno e Vila da Serra verticalizaram em ritmo acelerado e o trânsito da região piorou na mesma proporção. O modelo escolhido, que transfere a conta aos empreendedores que lucraram com esse adensamento, chega tarde, mas chega; o teste agora é a convivência dos motoristas com dois anos de canteiro num dos corredores mais saturados da metrópole.24