O ciclone extratropical que varreu o Sul e o Sudeste desde quinta (6) já se afastou da costa gaúcha, mas o vendaval não acabou: neste sábado (8), rajadas de até 90 km/h seguem previstas para trechos das duas regiões, e o Inmet mantém alertas de vendaval válidos para 11 estados. A tendência é de enfraquecimento ao longo do dia, à medida que a frente fria associada ao fenômeno avança para o oceano.123

No Rio Grande do Sul, estado mais atingido, o balanço da passagem do ciclone na quinta inclui a morte de um motociclista atingido por uma árvore em Montenegro e 2.306 desalojados, concentrados em Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapiranga e Nova Hartz. Às 15h de sexta (7), 228,7 mil imóveis continuavam sem energia — só em Pelotas, o município mais castigado, eram mais de 22 mil residências às escuras, e parte do muro do presídio regional veio abaixo. A rajada mais forte medida no estado chegou a 134,3 km/h em General Câmara, e um tornado se formou em Pedro Osório no fim da tarde de quinta.3

No Sudeste, o estrago ficou bem aquém do cenário que paralisou o Rio na sexta. Em São Paulo, a rajada de 109 km/h em Santos foi o registro mais expressivo, e 11 cidades tiveram danos pontuais, sem vítimas. Na capital fluminense, o vendaval extremo que levou a prefeitura ao estágio 3 e ao ponto facultativo simplesmente não se confirmou: a chuva e a queda de temperatura que acompanharam a frente fria drenaram a energia dos ventos antes que eles alcançassem a força projetada pelos modelos.35

Para este sábado, as rajadas mais intensas, de 70 a 90 km/h, devem se concentrar na Grande São Paulo, nas regiões de Sorocaba e Campinas, nos vales do Ribeira e do Paraíba, na Serra da Mantiqueira e no Sul de Minas; no litoral paulista e no Rio, os ventos recuam para a faixa de 40 a 50 km/h. Ainda assim, vale a cautela de sempre em dia de ventania: árvores e estruturas fragilizadas por dois dias de vento podem cair mesmo com rajadas menores, e as distribuidoras seguem religando os circuitos derrubados desde quinta.14