A China inicia neste sábado (15) a primeira temporada de viagens regulares de contêineres para a Europa pela Rota Marítima do Norte, que acompanha a costa russa no Ártico. A Sea Legend Shipping programou oito partidas semanais entre agosto e outubro, substituindo o modelo de travessias experimentais por um serviço comercial com calendário definido. O primeiro percurso será feito pelo Dubai Tower, navio com capacidade aproximada de 1,7 mil TEUs, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. A previsão é sair de Ningbo-Zhoushan em 15 de agosto e chegar ao porto britânico de Felixstowe em 5 de setembro.12

A promessa comercial é reduzir para cerca de 20 dias uma viagem que pode levar de 30 a 40 dias pelas rotas marítimas convencionais, além de evitar o canal de Suez e o mar Vermelho. A carga reunida em diferentes portos chineses seguirá por Ningbo, enquanto Felixstowe funcionará como ponto de distribuição para mercados do Reino Unido e da União Europeia. Sete navios de pequeno e médio porte devem participar da operação de 2026. A escala ainda é modesta diante das grandes linhas entre Ásia e Europa, mas o calendário semanal permite testar se a economia de distância se traduz em pontualidade e demanda suficientes para sustentar o serviço.13

A palavra “regular” exige uma ressalva: a linha funcionará apenas durante a janela de navegação do verão e do início do outono no Hemisfério Norte. O excesso de gelo ainda impede uma operação contínua no inverno, e alterações meteorológicas podem comprometer os horários. A rota também transfere parte do tráfego para águas sob administração russa, ampliando a dimensão geopolítica do projeto chinês chamado de Rota da Seda Polar. Para importadores e exportadores, portanto, a novidade oferece uma alternativa mais rápida em meses específicos, não um substituto imediato e permanente para Suez. O teste decisivo será cumprir as oito viagens previstas com segurança e regularidade.23