O antigo prédio da Telhanorte na esquina da Avenida Raja Gabaglia com a BR-356, colado no BH Shopping e no Trevo do Belvedere, deve reabrir em setembro como centro de convenções para até 4,5 mil pessoas. Antes disso, virou caso público: a Comissão de Mobilidade Urbana da Câmara de BH realizou audiência na quinta (6), a pedido do vereador Professor Juliano Lopes, para ouvir moradores do Belvedere e do Santa Lúcia, que cobram transparência sobre o licenciamento e contrapartidas para um trânsito que já classificam de intolerável.123

A Casa Vereda é tocada pela Nutribom Empreendimentos, mesma administradora do Expominas, com investimento declarado de R$ 8 milhões e direção executiva de Márcia Ribeiro. O complexo ocupa terreno de 8,7 mil m² com mais de 18 mil m² construídos: um pavilhão principal batizado de Guimarães Rosa, cinco salas modulares com divisórias retráteis e 257 vagas de estacionamento — bem acima das 83 exigidas por lei, mas pouco diante da lotação máxima. A casa mira feiras, congressos, formaturas, casamentos e shows.234

O número mais duro da audiência veio da própria prefeitura: um evento de grande porte no horário de pico elevaria em 123% os atrasos no tráfego da região, segundo estudo apresentado pela subsecretária de Mobilidade, Jussara Bellavinha. O licenciamento urbanístico segue em análise na Secretaria de Política Urbana, que promete impor condicionantes. A empresa afirma que fará tratamento acústico e adequação de rotas de fuga, que a operação será concentrada no período noturno e que não abrirá sem as licenças definitivas.12

A audiência terminou com dois encaminhamentos: a Casa Vereda enviará relatório técnico e resumo do projeto à comissão, e o debate será remetido ao secretário municipal de Política Urbana. Entre as associações de moradores, o tom varia — a AABB, de Marcello Pavan, prevê impactos significativos; a AMBB, de José Eugênio de Castro, prefere negociar mitigações com a empresa e o poder público a tentar barrar o projeto.13

Na leitura desta mesa, o problema não é a vocação do endereço, que sempre foi comercial, e sim o calendário: a inauguração está marcada para setembro enquanto o licenciamento ainda corre e o próprio estudo municipal admite impacto pesado no pico. Para quem depende diariamente da BR-356 e do trevo, a diferença entre um vizinho administrável e um gargalo novo estará nas condicionantes que a PBH fixar — e na fiscalização do que for prometido.12