A Casa Branca enviou ao Congresso americano, em 15 de setembro, a determinação presidencial anual sobre países produtores e de trânsito de drogas para o ano fiscal de 2027. No texto, divulgado nesta quarta (16) pelo Departamento de Estado, o governo Trump afirma que o Brasil "falhou em confrontar" o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), chamando o país de centro para o fluxo global de cocaína.12
Apesar da crítica nominal — inédita em comparação ao relatório de 2025, quando o Brasil não era citado diretamente —, o país não entrou na lista de 23 grandes produtores ou rotas de droga nem foi classificado como governo que "falhou demonstravelmente" em suas obrigações antidrogas, categoria reservada a cinco países. Ainda assim, o documento exige que Brasília adote "medidas agressivas" contra as duas facções antes que ampliem operações.12
A cobrança se soma a movimentos recentes de Washington: em maio, o secretário de Estado Marco Rubio classificou PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras; em julho, os EUA sancionaram dois brasileiros, três empresas paulistas e uma portuguesa por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC.1
O mesmo documento retirou a Venezuela da lista de países que "demonstraram fracasso" no combate ao narcotráfico, da qual constava desde 2005 — primeira retirada em mais de duas décadas. Trump atribuiu a mudança à prisão de Nicolás Maduro por forças americanas em janeiro e à cooperação do governo interino de Delcy Rodríguez, incluindo a morte do líder do Tren de Aragua conhecido como "Niño Guerrero".3
A determinação não implica corte automático de ajuda ou sanções ao Brasil, já que o país segue fora do grupo dos maiores infratores. Mas formaliza por escrito uma escalada de pressão diplomática que já vinha em designações terroristas e sanções ao longo do ano, dando a Washington uma peça declaratória para cobrar publicamente ação de Brasília contra as facções — em meio a uma relação bilateral já tensionada por tarifas e pelo caso Biroliro.12