Um caça F-18 da Força Aérea espanhola, destacado para o policiamento aéreo da Otan na Romênia, abateu na madrugada deste domingo (16) um drone que entrou sem autorização no espaço aéreo do país. Os radares romenos detectaram o alvo às 4h44, cerca de 24 quilômetros ao norte de Galați, depois de ele cruzar a fronteira pelo lado da Moldávia. Duas aeronaves espanholas já estavam em alerta; uma delas estabeleceu contato por radar, recebeu autorização para atacar e derrubou o aparelho às 5h01.12

Os destroços podem ter caído entre Băleni e Cudalbi, em uma área sem moradores. Não houve relato imediato de vítimas ou danos, e a origem do drone ainda não havia sido confirmada pelas autoridades. A identificação importa: a Romênia faz fronteira com a Ucrânia e vem recebendo aparelhos desviados ou envolvidos na guerra, mas atribuir este episódio a qualquer dos lados antes da perícia transformaria uma incursão comprovada em conclusão prematura.123

O episódio é o quarto abate de um drone sobre território romeno desde o fim de julho. Nos três anteriores, a interceptação coube a F-16 da própria Romênia; agora, um destacamento aliado executou a ação sob a missão de defesa aérea da Otan. A mudança concreta está menos na queda de um aparelho isolado do que na consolidação de uma resposta: após anos de violações e fragmentos encontrados no país, Bucareste passou a autorizar a destruição de alvos que invadem seu espaço aéreo.24

A sequência já produziu consequências para civis. Em maio, um drone Geran-2 de fabricação russa atingiu um edifício residencial em Galați e feriu uma mulher e seu filho. A interceptação deste domingo, feita por militares espanhóis em território romeno, mostra como o transbordamento da guerra passou de problema fronteiriço recorrente a tarefa operacional compartilhada pela aliança — ainda sem representar, por si só, confronto direto entre a Otan e a Rússia.24