O Brasil registrou cerca de 830 mil roubos e furtos de celulares em 2025, média de 95 aparelhos por hora. O levantamento integra o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), e foi construído a partir dos registros das polícias civis e das secretarias estaduais. O volume recuou em relação ao ano anterior, mas ainda equivale a mais de 2,2 mil ocorrências por dia — e contabiliza apenas os casos formalmente comunicados às autoridades.12

A concentração urbana ajuda a dimensionar o problema. Embora abrigue 5,6% da população brasileira, a cidade de São Paulo respondeu por aproximadamente 20% dos aparelhos subtraídos no país. No recorte estadual, São Paulo somou 254.447 ocorrências, mesmo após uma queda anual de 6,2%; o Rio de Janeiro apareceu em seguida, com 72.187 casos e alta de 22,7%. Números absolutos, porém, não medem sozinhos o risco enfrentado pelo morador, porque refletem também o tamanho da população.12

Quando o total é ajustado pela população, São Luís lidera entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, com 1.517 roubos e furtos por 100 mil moradores. Belém aparece logo depois, com 1.487, e São Paulo ocupa a terceira posição, com 1.390,5. Das 20 cidades com as maiores taxas, 14 são capitais, sinal de que circulação intensa, transporte coletivo e grandes aglomerações continuam oferecendo terreno especialmente favorável a esse mercado ilegal.12

A estatística não abrange as fraudes praticadas depois da subtração, quando o aparelho pode servir de acesso a contas bancárias, documentos e contatos. Tampouco autoriza atribuir a redução nacional a uma política específica: bloqueios remotos e iniciativas como o Celular Seguro podem reduzir o valor de revenda, mas o anuário mede registros policiais, não estabelece sozinho relações de causa e efeito. O dado mais sólido é a persistência de um crime patrimonial de escala industrial, concentrado nas maiores áreas urbanas.12