A coalizão de direita que sustenta Benjamin Netanyahu saiu da eleição de terça-feira (27) sem maioria no Parlamento de Israel. Com a contagem concluída na madrugada desta sexta (30), o bloco do primeiro-ministro soma 53 das 120 cadeiras do Knesset, oito abaixo dos 61 assentos necessários para governar. No auge da legislatura anterior, o mesmo grupo controlava 68.12

O Likud continua sendo o maior partido, com 27 deputados, seguido pelo Yashar, do ex-comandante do Exército Gadi Eisenkot, com 21. O campo de oposição chega a 48 cadeiras ao somar B'Yachad (12), Democratas (8) e Yisrael Beytenu (7). Entre os aliados de Netanyahu, Otzma Yehudit e Judaísmo Unido da Torá fizeram 7 cada, e Shas e Sionismo Religioso, 6 cada. A surpresa veio dos partidos árabes: Lista Conjunta (11) e Ra'am (8) alcançaram 19 assentos, recorde histórico e quase o dobro da bancada atual. O comparecimento de 77,9%, com 5,7 milhões de votos, foi o maior em décadas.23

A conta não fecha para nenhum lado. A oposição só alcançaria 61 com os árabes, mas Eisenkot prometeu na campanha não se aliar a eles, e Netanyahu fez o mesmo. Apenas Yair Golan, dos Democratas, defende abertamente uma coalizão com Ra'am e Lista Conjunta. Nos dois dias seguintes à votação, Eisenkot se reuniu com Naftali Bennett, do B'Yachad, e com Golan para tentar acelerar um acordo, enquanto Golan conversou separadamente com Mansour Abbas, líder do Ra'am.34

Netanyahu e aliados reagiram alegando, sem apresentar provas, que a eleição foi roubada por meio de uma suposta operação de influência do Catar sobre o voto árabe. O presidente da Comissão Eleitoral Central, o juiz Noam Sohlberg, encaminhou a denúncia ao Shin Bet, mas o diretor interino do órgão, Dean Livne, afirmou não haver base para falar em violação sistemática e disse que a investigação não altera o resultado enviado ao presidente. O Catar e Abbas negaram qualquer envolvimento, e Eisenkot acusou o premiê de tentar deslegitimar a votação.24

A comissão deve entregar o resultado oficial ao presidente Isaac Herzog na quarta-feira (4), após analisar recursos. Herzog ouvirá então os líderes partidários e indicará quem tentará formar governo. O novo Knesset toma posse em 10 de novembro, com ou sem acordo, e Netanyahu segue como premiê enquanto as negociações durarem. Herzog pediu aos partidos que evitem uma nova eleição, cenário que ganha corpo quando os dois maiores blocos recusam o único grupo capaz de dar maioria a qualquer deles.23