A Defesa Civil de Belo Horizonte mantém até quarta-feira (7) o alerta de risco geológico forte em cinco regionais: Barreiro, Oeste, Centro-Sul, Noroeste e Nordeste. O aviso foi ampliado na noite de segunda (5), depois de um dia em que a chuva começou de madrugada, voltou à tarde e deixou vias alagadas em diferentes pontos da capital.34
Os números explicam a cautela. Até as 17h30 de segunda, a regional Oeste acumulava 133,6 mm no mês, o equivalente a 121,3% da média climatológica de outubro, de 110,1 mm. A Centro-Sul tinha 122,6 mm (111,4%) e a Noroeste, 118,4 mm (107,5%). A maior parte caiu em 18 horas: 95,2 mm na Oeste, 86,2 mm na Noroeste e 71,2 mm na Centro-Sul. Em cinco dias, as três áreas já receberam mais água do que o mês inteiro costuma trazer.3
O dia começou com barulho. Por volta das 5h30, celulares de toda a cidade dispararam ao mesmo tempo um aviso de chuva moderada a forte para as duas horas seguintes. Nas redes, moradores reclamaram do susto e de que a mensagem chegou quando já chovia havia quase duas horas. A Defesa Civil respondeu que o disparo foi preventivo, motivado pelo volume registrado em pouco tempo: naquela manhã, a Noroeste somava 46,2 mm, 42% da média mensal, e a Centro-Sul, 36,4 mm. Ao longo da segunda houve pelo menos três alertas, o último às 16h30.126
Na rua, o efeito apareceu sobretudo nas regiões Noroeste, Oeste e Centro-Sul. A Rua Platina, no Prado, ficou tomada pela água, com veículos ilhados, e o alagamento durou cerca de meia hora em alguns trechos. Houve queda de árvores nos bairros Liberdade e Aparecida e bloqueios de vias por segurança. Pela manhã, já tinham sido registrados alagamentos na Avenida Cristiano Machado e no Camargos.54
A leitura que importa é a do solo, não a da sirene. Com o terreno encharcado, o risco de deslizamento persiste mesmo que a chuva diminua, e por isso o alerta geológico dura mais que a previsão de chuva com raios e rajadas, que ia até esta terça (6). A Centro-Sul, que inclui o Belvedere, está na lista. Os sinais a observar são trincas em paredes, rachaduras no chão, portas e janelas emperrando, água brotando de barrancos e postes ou árvores inclinados. A Defesa Civil atende pelo 199 e os Bombeiros, pelo 193.34