O balanço dos ataques israelenses da madrugada desta segunda (7) no sul do Líbano subiu para ao menos 12 mortos, segundo a agência estatal libanesa e a imprensa local. Em Kfar Rumman, na região de Nabatieh, um prédio residencial de três andares foi reduzido a escombros pouco depois da meia-noite, com dois bebês e quatro mulheres entre as vítimas; um segundo ataque, de drone, destruiu um carro de socorristas. Os feridos chegam a oito, incluindo três crianças e um paramédico. O Ministério da Saúde libanês contabiliza 27 mortos e 69 feridos nos últimos três dias, o pior intervalo desde o cessar-fogo de 26 de junho.13
Os bombardeios não pararam com o amanhecer. Em Deir al-Zahrani, um edifício foi derrubado depois de um aviso de evacuação. Houve novos ataques em Nabatieh e Arab Salim, e moradores de al-Mansouri relataram explosões que destruíram cerca de dois terços das casas do vilarejo, dentro de uma sequência de demolições que Israel mantém na faixa de fronteira. Perto do castelo de Beaufort, um combatente do Hezbollah abriu fogo contra uma unidade de reconhecimento da Brigada Golani e foi morto; dois soldados israelenses ficaram levemente feridos.23
Israel apresentou sua justificativa. O Exército diz que dois drones explosivos foram lançados contra suas tropas na região, o terceiro episódio do tipo em uma semana, sem feridos do lado israelense, e afirma ter atingido em Kfar Rumman operativos do Hezbollah que transportavam armas. A força admite apurar relatos de civis mortos. A chancelaria israelense acusou o grupo de violar o cessar-fogo e de tentar reconstruir capacidade militar, e disse que o país continua comprometido com o acordo mediado pelos Estados Unidos, mas seguirá removendo o que considera ameaças.12
Do lado libanês, o presidente Joseph Aoun afirmou que os ataques miram justamente o processo do acordo-quadro e voltou a pedir que Washington e a comunidade internacional freiem a ofensiva. O contexto é uma guerra que recomeçou em março de 2026, com mais de 4,3 mil mortos no Líbano desde então, e uma zona de segurança de cerca de 10 km que Israel mantém dentro do território libanês. Os mortos de Kfar Rumman eram, em boa parte, moradores que haviam retornado às casas depois da trégua de junho.13
Leitura editorial: o padrão da semana é o de um cessar-fogo nominal. Cada drone do Hezbollah contra tropas israelenses, sem vítimas, é respondido com bombardeios em áreas residenciais que matam dezenas, e nenhum dos dois lados diz ter abandonado o acordo. Sem um mecanismo de fiscalização visível e com os Estados Unidos ocupados no confronto com o Irã, a conta recai sobre os civis que acreditaram na trégua e voltaram ao sul.23