A Anvisa publicou nesta quarta-feira (29) o registro de cinco novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida, as chamadas canetas emagrecedoras: Owozy, da Ávita Care; Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil; Zempneo, da Brainfarma; Semavy, da Cosmed; e Orsema, da Ranbaxy Farmacêutica. A indicação formal aprovada é o tratamento de adultos com diabetes tipo 2, como complemento a dieta e exercício — o mesmo enquadramento do Ozempic, referência da categoria. Os produtos atuam como análogos do hormônio GLP-1, que melhora a resposta do organismo à insulina e aumenta a saciedade após as refeições.12

A leva de aprovações é desdobramento direto da expiração da patente da semaglutida da Novo Nordisk no Brasil, em 20 de março de 2026. A primeira versão nacional, o Ozivy, da EMS, foi registrada em 26 de maio; na ocasião, a própria agência informava manter outros cinco medicamentos sintéticos e um biológico em análise, além de uma fila de processos aguardando avaliação — retrato da corrida industrial pelo segmento mais aquecido da farmacologia recente.3

O registro restrito ao diabetes não muda o uso que dá apelido às canetas: a prescrição para emagrecimento é o que move boa parte da demanda e foi o ângulo escolhido pela própria capa da Globo. O ambiente regulatório, porém, está mais apertado desde junho de 2025, quando as farmácias passaram a ser obrigadas a reter a receita dos agonistas de GLP-1 e a Anvisa proibiu as versões manipuladas do princípio ativo.12

O dado que merece atenção é a velocidade da concorrência: em pouco mais de quatro meses de patente expirada, o país já soma seis semaglutidas registradas além das originais da Novo Nordisk, com laboratórios ligados a grupos farmacêuticos nacionais e estrangeiros de grande porte. A expectativa de queda de preços é plausível, mas ainda não é fato: nenhum dos novos fabricantes divulgou valores nem data de chegada às farmácias, e o efeito real sobre o bolso do consumidor dependerá de escala de produção e da reação da fabricante original.23