Donald Trump deixou a Turquia secretamente em uma aeronave militar menor após a cúpula da Otan de 8 de julho, numa operação motivada por informações sobre uma ameaça iraniana contra o presidente e seu avião. Segundo o relato publicado nesta segunda-feira (10) e reproduzido pela Associated Press, Trump embarcou diante das câmeras no tradicional Air Force One, mas depois foi retirado da aeronave num veículo usado pelo serviço de catering e levado a outro avião. A Casa Branca não contestou diretamente a existência da operação e afirmou que emprega recursos de distração para proteger o presidente.1
Jornalistas e parte da equipe presidencial permaneceram no Air Force One acreditando que Trump estava a bordo. O avião seguiu para a base britânica de Mildenhall, funcionando na prática como chamariz, enquanto o presidente tomava outra rota. A AP informou não ter confirmado de forma independente todos os detalhes da manobra, mas a existência de uma ameaça considerada crível já havia sido relatada separadamente pela CBS News em 24 de julho: autoridades disseram que inteligência americana detectara um plano para lançar um míssil contra a aeronave presidencial e que o Serviço Secreto recomendara precauções adicionais.12
Na época da viagem, Trump apresentou outra explicação pública. Disse que enviaria o Boeing 747-8 doado pelo Catar a Mildenhall para que militares americanos pudessem conhecer a aeronave, enquanto ele regressaria no modelo presidencial mais antigo. A troca de aviões foi divulgada naquele mesmo dia, mas a transferência clandestina e o uso involuntário da comitiva como elemento da dissimulação só vieram a público agora. Mais que uma história sobre protocolo presidencial, o episódio expõe o grau concreto da ameaça no conflito entre Estados Unidos e Irã e levanta uma questão operacional séria: pessoas que não conheciam o plano foram mantidas no avião que ajudava a sustentar a aparência de que o presidente seguia ali.123