Donald Trump confirmou nesta terça-feira (11) o que a imprensa americana havia revelado na véspera com base em fontes anônimas: em 8 de julho, ao deixar a cúpula da Otan em Ancara, na Turquia, ele trocou secretamente de avião para escapar de uma possível ameaça iraniana. Aos repórteres, o presidente disse que apenas seguiu a orientação do Serviço Secreto e que não confia no Irã — segundo ele, seu nome estaria no topo da lista de alvos de Teerã, e ameaças do tipo seriam rotina na sua função.123

A operação, agora admitida oficialmente, retirou Trump do Boeing 747 dentro de um veículo de catering: ele foi acomodado em um contêiner de carga e içado por plataforma hidráulica até um C-32A estacionado nas proximidades, que decolou rumo ao Reino Unido. O alerta partira de Israel e apontava risco de ataque com míssil portátil contra o 747 antigo, que não dispõe de defesas adequadas contra esse tipo de arma. O avião presidencial seguiu viagem como chamariz, levando cerca de 12 jornalistas e parte da equipe da Casa Branca — todos instruídos a manter as persianas fechadas e sem saber que o presidente não estava a bordo.23

A confirmação veio acompanhada de provocação. Trump brincou que, se o avião dele for derrubado, os repórteres que o acompanham caem junto, e sugeriu que talvez quisessem mudar de profissão. O corpo de imprensa da Casa Branca não achou graça: ao Jornal Nacional, jornalistas que voaram no avião-isca disseram que servir de engodo não faz parte do trabalho de cobrir a Presidência e cobraram transparência da equipe presidencial. O diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, defendeu a manobra com o argumento de que ameaças concretas justificam o uso de todas as ferramentas disponíveis.234

O reconhecimento em público muda o peso do episódio: o que era vazamento vira admissão, pelo próprio presidente, de que o governo americano considerou necessário esconder sua localização até da comitiva oficial em viagem por um país aliado da Otan. É um termômetro do nível de tensão com Teerã um mês depois da fuga — e ajuda a explicar a pressa em migrar as viagens presidenciais para o Boeing 747-8 presenteado pelo Catar, que a Casa Branca descreve como equipado com proteções mais avançadas que as do avião antigo.23